
Arte by Meg Lopes
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Muito antes das grandes religiões patriarcais e dos impérios liderados por reis, existiu um tempo em que o centro da vida espiritual e simbólica da humanidade era feminino. O Paleolítico, a primeira fase periódica da história, que abrange aproximadamente de 2,5 milhões a 10 mil anos atrás, foi o berço de uma concepção do mundo onde o sagrado feminino se manifestava pela fertilidade da terra, pela natureza e pelo corpo da mulher.
A Deusa como Mãe da Vida
No período Paleolítico todos eram profundamente conectados aos ciclos da natureza. A observação da natureza, das estrelas, dos ritmos da Terra, o nascimento, o crescimento, a morte e o renascimento moldavam o entendimento da existência.
A mulher, por gerar a vida dentro de si, tornava-se símbolo máximo desse ciclo. Não é por acaso que, neste período, surgiram inúmeras representações femininas esculpidas em pedra, marfim ou osso, conhecidas como “Vênus paleolíticas”.
As “Vênus paleolíticas” eram pequenas estatuetas encontradas em diversos locais do mundo. Essas estatuetas, feitas em pedra ou marfim, retratavam os corpos de mulheres com suas formas exageradas, principalmente nas nádegas, seios e coxas. Essas esculturas são consideradas obras de arte mais antigas do mundo e são um dos objetos de estudo mais importantes sobre o período Paleolítico.
Essas figuras, como a Vênus de Willendorf, datada de cerca de 25.000 a.C., exibem corpos voluptuosos, com seios fartos, ventre arredondado e quadris largos. Não eram objetos sexuais, como muitas interpretações modernas tentaram sugerir, mas símbolos de fertilidade, abundância e continuidade da vida. Elas representavam a reverência ao mistério da criação e da fertilidade.
A Mulher e os Ciclos da Natureza
O sangue menstrual e o parto eram vistos com muita reverência e não com tabus.
A menstruação, associada aos ciclos lunares, reforçava a ligação simbólica entre mulher, lua e natureza. A mulher era, portanto, a encarnação viva dos ritmos sagrados do mundo.
As primeiras comunidades humanas dependiam da coleta, da observação das plantas, das estações — tarefas em que as mulheres desempenhavam um papel essencial. Isso fortaleceu sua posição social e espiritual. As mulheres eram tão sagradas quanto a Natureza.
Estudos arqueológicos e antropológicos indicam que as sociedades paleolíticas eram provavelmente matrilineares e igualitárias, onde o poder não era exercido pela força, mas pela sabedoria, experiência e conexão com os mistérios da vida e da morte.
O feminino não era dominado, era celebrado e cultuado.
O Sagrado Antes dos Deuses Guerreiros
Muito antes do surgimento das divindades masculinas associadas à guerra, à conquista e à punição, o divino era feminino. A deusa não era apenas a “mãe”, mas a Terra em si. Ela gerava todos os seres, acolhia os mortos em seu seio e fazia renascer a vida a cada estação.
O culto à Deusa Mãe persistiu por milênios, inclusive ao longo do Neolítico, e chegou a influenciar civilizações posteriores, como Creta, Suméria, Egito e Índia.
No entanto, com o fim do conceito nômade e a implantação da sedentarização, a divisão de trabalho e o surgimento de sociedades hierárquicas e patriarcais, a Deusa foi sendo gradualmente substituída por deuses masculinos dominadores e bélicos. Mas a memória da Deusa-Mãe nunca se apagou por completo.
A Importância de Relembrar
Hoje, revisitar o culto à Deusa no Paleolítico não é apenas um exercício arqueológico ou espiritual, mas um ato político e poético de reconexão com a Natureza.
Fala-se muito em resgatar a ancestralidade feminina, e isso começa reconhecendo que houve um tempo em que o corpo da mulher não era oprimido, era reverenciado como expressão do divino.
Ao dar voz a essas antigas memórias, a Uttu Design não apenas celebra a beleza e o poder do feminino ancestral, mas também honra todas as mulheres que, ao longo da história, mantiveram acesa a chama da sabedoria, da criatividade e da resistência.
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