Antes de nós, existiram elas. A História não contada de nossas Ancestrais.

Arte by Meg Lopes
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Quando pensamos na Pré-História, é comum visualizarmos uma cena típica: homens caçando e mulheres em volta do fogo, cuidando das crianças e preparando alimentos. Essa imagem, porém, é fruto de estereótipos modernos e não reflete a complexidade da vida nas primeiras sociedades humanas.
Estudos arqueológicos e antropológicos mais recentes têm desmontado essa visão limitada. Eles revelam que as mulheres desempenhavam papéis ativos, diversos e fundamentais: elas também caçavam, lideravam, lutavam e ocupavam posições centrais em suas comunidades.
Livro: Lady Sapiens: Como as mulheres inventaram o mundo
Amplamente amparado em evidências científicas, cada capítulo deste livro desconstrói ideias preconcebidas e preconceitos, desenhando um retrato inédito da mulher no período pré-histórico.
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Desconstruindo o mito da passividade feminina
Durante muito tempo, a narrativa predominante nas ciências humanas restringiu as mulheres ancestrais a papéis ligados exclusivamente à reprodução e aos cuidados domésticos. Essa imagem foi construída com base em suposições patriarcais contemporâneas, e não em evidências concretas.
Ao contrário das sociedades patriarcais que surgiram com a agricultura, os grupos de caçadores-coletores eram, em geral, mais igualitários. O poder era descentralizado, e as tarefas divididas conforme as habilidades e necessidades de cada um. As mulheres participavam ativamente da vida pública, espiritual e econômica.
A desigualdade de gênero, como conhecemos hoje, é um fenômeno relativamente recente na linha do tempo da humanidade.
O preconceito de gênero foi um dos principais fatores por trás do apagamento da atuação feminina na história da evolução humana. O conceito do “Homem Caçador” ganhou força no meio acadêmico e foi amplamente disseminado na cultura popular — em filmes, livros didáticos, exposições e até desenhos animados.
Quem não se lembra de Os Flintstones, da Hanna-Barbera? O desenho mostrava o homem como provedor e a mulher como uma esposa submissa, refletindo o modelo familiar da década de 1960. Essa narrativa reforçou, por muito tempo, ideias equivocadas e preconceituosas sobre os papéis de gênero.
Esse modelo não só distorceu o passado como influenciou gerações inteiras. A ideia de que as mulheres não teriam capacidade física para caçar ou realizar atividades consideradas “masculinas” continua viva em muitos discursos.
Porém, a verdade é que por milhares de anos vivemos em sociedades muito mais igualitárias do que imaginamos.
Igualdade e Coletividade
Pesquisas indicam que, entre nossos ancestrais, a criação dos filhos era uma responsabilidade coletiva. O conceito de aloparentalidade — cuidado de crianças por adultos que não são seus pais biológicos — era uma prática comum e essencial para a sobrevivência do grupo.

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Esse arranjo libertava as mulheres das obrigações exclusivas com os filhos, permitindo que elas participassem de outras atividades importantes, como a caça.A aloparentalidade moldou nossa história evolutiva e contribuiu para a construção de sociedades mais colaborativas.
Elas também caçavam
Descobertas arqueológicas recentes estão mudando a maneira como vemos o papel das mulheres na Pré-História. Há evidências crescentes de que as mulheres caçavam lado a lado com os homens, lideravam clãs, produziam ferramentas e estavam no centro da vida prática das comunidades.
Uma das revelações mais significativas dos últimos anos foi a descoberta de sepultamentos de mulheres enterradas com armas de caça — uma prova de que elas não só participavam, como dominavam essa prática em muitas culturas.
Livro: Sexo invisível. O verdadeiro papel da mulher na pré-história
Pela primeira vez, o lado feminino da evolução humana e da pré-história é analisado. Adovasio, Soffer e Page constatam que foram as mulheres as grandes organizadoras nos primeiros passos rumo às noções de civilização.
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Durante o período Paleolítico, a vida em pequenos grupos nômades exigia que todos contribuíssem de maneira ampla. A divisão do trabalho por gênero era pouco prática para a época. Fósseis analisados revelam que mulheres e homens apresentavam ferimentos semelhantes, como fraturas nos braços, pernas e região torácica, provavelmente causadas por enfrentamentos com grandes animais durante caçadas.
Habilidade e resistência: a mulher caçadora
Estudos recentes demonstram que a anatomia e a genética das mulheres as favoreciam em muitos aspectos da caça. A resistência física, a mobilidade dos quadris e a maior capacidade de locomoção em longas distâncias são características que tornavam as mulheres especialmente aptas para a caça persistente — aquela que exige seguir a presa até que ela se esgote.

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Hormônios como o estrogênio e a adiponectina também contribuíram para o desempenho físico e a resistência à variações climáticas, o que pode ter sido decisivo na sobrevivência em ambientes hostis.
Enquanto os homens se destacavam em atividades de força e explosão, como correr ou arremessar, as mulheres tinham desempenho notável em estratégias de resistência e destreza.
Armas que igualaram forças
Uma descoberta arqueológica interessante revelou que a introdução de armas como o Atlatl — um tipo de alavanca usada para arremessar dardos com mais força e precisão — reduziu a diferença física entre homens e mulheres na caçada.
O Atlatl funcionava como uma extensão do braço e permitia que qualquer pessoa, independentemente da força bruta, tivesse um desempenho eficiente na caçada. Considerada precursora do arco e flecha, essa ferramenta foi usada por milhares de anos.
Muitas mulheres caçadoras foram enterradas com suas armas. Durante muito tempo, esses restos mortais foram erroneamente classificados como masculinos. Com o avanço da tecnologia, hoje é possível identificar o sexo com mais precisão — e isso está ajudando a reescrever a nossa história.

Achados arqueológicos que contam outra história
Em 2020, um estudo publicado na revista Science Advances analisou sepultamentos de cerca de 9 mil anos nos Andes e revelou que uma parte significativa dos caçadores enterrados com armas eram mulheres.
Foram encontradas ferramentas de caça, como pontas de lanças feitas de pedra, associadas aos túmulos de corpos femininos — inclusive com evidências dessas mulheres na participação em caçadas de grandes animais. Além disso, não havia distinção de status social entre homens e mulheres nos sepultamentos.
Resgatar a mulher ancestral é recuperar nossa história coletiva
Reconhecer o protagonismo feminino na Pré-História não é apenas um gesto de reparação histórica — é essencial para compreendermos de forma mais justa a evolução humana.
As mulheres não foram coadjuvantes: foram líderes, caçadoras, curandeiras, inventoras e guardiãs do sagrado.
Celebrar essas mulheres é honrar as raízes da humanidade. É também inspirar novas gerações a reconhecerem que força, sabedoria e igualdade são atributos humanos, não de gênero.
Esse passado esquecido ainda pulsa em nós. Ele é uma herança viva que nos inspira a resistir, liderar e reconectar com o que há de mais essencial.

Arte by Meg Lopes
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Se as mulheres foram protagonistas na origem da civilização, elas podem — e devem — ocupar esse lugar novamente no presente e no futuro.
A história também é nossa. E já passou da hora de contá-la sem preconceitos, dogmas ou tabus.
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